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Depoimento · Autoconhecimento

Nós sabemos exatamente o que tem que ser feito. E não fazemos.

Karen Baldin

Neuropediatra

Karen Baldin: Nós sabemos exatamente o que tem que ser feito. E não fazemos.
Antes

Insegurança e timidez que a faziam evitar se relacionar com as pessoas, sem saber de onde vinham

Depois

Nomeou a origem da insegurança e passou a vê-la como pequena diante de quem se tornou

Quem é Karen Baldin

Karen Baldin tem 40 anos e é neuropediatra. Gravou durante o Momenttum M1.

É o depoimento mais estruturado da turma: ela abre com uma tese, explica o mecanismo e fecha com o caso dela mesma.

A tese

Muitas vezes nós sabemos exatamente o que tem que ser feito, mas nós simplesmente não fazemos.

Quem trabalha com desenvolvimento de pessoas ouve essa frase o tempo todo, geralmente como queixa. Karen a usa como ponto de partida, e o que vem depois é a explicação.

A gente percebe que tem padrões de funcionamento invisíveis dentro de nós.

Esse é o elo que a maioria pula. Entre saber e fazer não existe um vazio a ser preenchido com força de vontade. Existe um mecanismo que já está funcionando, e que ninguém enxerga justamente porque é ele que está no comando.

Ela é neuropediatra. Alguém que passa o dia investigando por que um cérebro em desenvolvimento faz o que faz tem vocabulário para isso. "Padrão de funcionamento invisível" não é frase de treinamento. É frase de quem examina.

O caso dela

Aqui o depoimento muda de registro. Ela para de falar em "nós" e passa a falar em "eu":

Eu cheguei dizendo que eu tinha muita insegurança e timidez, que muitas vezes eu sentia uma preguiça de me relacionar com as pessoas.

Repare na palavra que ela escolhe para descrever o sintoma: preguiça. Não medo, não ansiedade. Preguiça de se relacionar.

E logo depois ela corrige o próprio diagnóstico:

Mas a partir daqui eu vi que o que estava por trás disso era uma insegurança.

É exatamente o padrão invisível de que ela falou no início, agora com nome. O que parecia preguiça era insegurança operando com outro rótulo. Enquanto o rótulo era preguiça, a solução seria esforço. Com o rótulo certo, a solução muda de lugar.

Sobre a origem que ela nomeia

Karen diz de onde acredita que a insegurança veio. Ela escolheu dizer isso em vídeo, e a frase fica na transcrição como ela disse. Não vou comentar nem interpretar: é a história dela, e o que importa aqui não é a origem, é o que ela faz com a descoberta.

E o que ela faz é isto:

Enxergar que ela é pequena para quem eu hoje me tornei.

Não é "resolvi". É "medi". Ela não diz que a ferida sumiu. Diz que colocou a ferida ao lado da mulher de 40 anos que se tornou e que, nessa comparação, a ferida ficou pequena. É um movimento de proporção, e proporção é o que muda quando alguém para de ver o problema com os olhos da idade em que ele começou.

Outro participante descreve o mesmo tipo de trabalho com emoções antigas que ainda operavam nele.

O que fica

Ela termina no futuro:

Eu vou ser a partir daqui mais segura, e posso ser uma boa líder e uma boa mentora.

"Posso ser" é a formulação certa. Ela não diz que já é. Diz que a condição que a impedia foi redimensionada, e que o caminho está aberto. Se ela percorre, é o que os próximos meses vão mostrar.

O que sobrevive do depoimento independentemente disso é o começo: saber e não fazer não é falha de caráter. É sinal de que alguma coisa invisível está decidindo no seu lugar.

Transcrição do vídeoNa íntegra, nas palavras de Karen. 208 palavras.

Karen Baldin, tenho 40 anos e sou neuropediatra.

Muitas vezes nós sabemos exatamente o que tem que ser feito, mas nós simplesmente não fazemos. Então aqui, além de nós enxergarmos com clareza tudo que a gente precisa fazer para chegar nos nossos objetivos, a gente percebe que tem padrões de funcionamento invisíveis dentro de nós. E as emoções, lidar com elas, entender o que está por trás de cada uma, é fundamental para a gente enxergar com clareza e mudar a nossa ação, que com certeza vai trazer outros resultados.

Eu consigo imaginar minha vida daqui em diante. Eu vejo que eu estou saindo daqui mais segura. Eu cheguei dizendo que eu tinha muita insegurança e timidez, que muitas vezes eu sentia uma preguiça de me relacionar com as pessoas. Mas a partir daqui eu vi que o que estava por trás disso era uma insegurança que meus pais colocaram em mim. Eu consegui me livrar dessa ferida, enxergar que ela é pequena para quem eu hoje me tornei, e eu vou ser a partir daqui mais segura, e posso ser uma boa líder e uma boa mentora.

Vale a pena confiar no Júlio, com certeza. Toda a minha confiança para o Júlio e para a equipe dele.

Sobre o que Karen viveu

Artigos que aprofundam o tema deste depoimento.

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A história dele começou com uma decisão.

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