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Depoimento · Autoconhecimento

Era algo que eu não sabia nem o que perguntar.

Douglas Horácio

Barbeiro

Douglas Horácio: Era algo que eu não sabia nem o que perguntar.
Antes

Levava a vida no automático e perdia os detalhes, sem conseguir formular o que precisava mudar

Depois

Encontrou, nas perguntas dos outros participantes, respostas para o que não sabia perguntar, e saiu com compromissos concretos

Quem é Douglas Horácio

Douglas Horácio tem 29 anos e é barbeiro. Gravou durante o Momenttum M1, e avisa duas vezes que ainda está digerindo.

É o depoimento mais honesto da turma sobre o estado de quem acaba de sair de um treinamento, e tem uma observação que vale mais do que muitas conclusões prontas.

A pergunta que ele não tinha

Era algo que eu não sabia nem o que perguntar, que através da pergunta de outras pessoas revelou respostas para mim.

Essa frase descreve o único ganho que não dá para obter sozinho.

Quem estuda por conta própria avança nas perguntas que já consegue formular. O limite não é a resposta, é a pergunta: ninguém procura o que não sabe que está faltando. Douglas descreve o momento em que a pergunta de outra pessoa, feita sobre a vida dela, iluminou um canto da vida dele que ele nem sabia que existia.

Isso é o argumento mais forte a favor de aprender em grupo, e ele o formula melhor do que a maioria dos manuais. Não é troca de experiência. É empréstimo de perguntas.

O automático

A gente vai levando as coisas às vezes no automático e acaba esquecendo dos detalhes, acaba se esquecendo de focar no que é importante.

Barbeiro é uma profissão de detalhe e de repetição ao mesmo tempo: o mesmo gesto, dezenas de vezes por dia, em que cada milímetro conta. Alguém que vive disso sabe exatamente o que "automático" custa quando invade o lugar errado.

E ele sabe o que sabe:

Muita coisa a gente já sabe. Só não bota em prática.

É a mesma frase, quase palavra por palavra, que uma médica da mesma turma escolheu para abrir o depoimento dela. Quando um barbeiro de 29 anos e uma neuropediatra de 40 chegam à mesma conclusão no mesmo dia, sem combinar, o problema não é de profissão.

O medo de sair na rua

Estou com medo de sair na rua agora, que tem tanta coisa que eu prometi que, quando chegar lá fora, eu vou ter que resolver.

É dito rindo, e é a coisa mais séria do depoimento. Ele saiu com promessas específicas o bastante para dar medo. Promessa vaga não assusta ninguém. O que assusta é a lista com nome e endereço.

E ele mesmo põe o prazo:

É esperar pelo dia a dia, para a gente botar em prática.

Ele não afirma que mudou. Afirma que se comprometeu e que o teste começa na porta. É exatamente a postura que faz um depoimento de último dia merecer ser levado a sério.

O que ele diz que fez de diferente

O principal é se entregar, se deixar vulnerável.

Ele conta que veio "completamente aberto", com indicações mas sem prévia do conteúdo. Vulnerabilidade, aqui, não é fragilidade: é a decisão de entrar sem a guarda que normalmente protege a gente de aprender alguma coisa. É a mesma condição que permitiu que as perguntas dos outros chegassem até ele.

Sobre o que ele diz do condutor e da técnica, fica na transcrição como ele disse. Aqui, o que importa é o que ele levou.

Transcrição do vídeoNa íntegra, nas palavras de Douglas. 205 palavras.

Douglas, 29 anos, sou barbeiro.

Ainda estou digerindo bastante, mas estou levando muita coisa. A revelação de que a gente vai levando as coisas às vezes no automático e acaba esquecendo dos detalhes, acaba se esquecendo de focar no que é importante. Acho que ainda tem muita coisa para digerir, mas resumindo é isso.

Acho que todas as perguntas foram complemento daquilo que estava sendo digerido ainda, e com certeza ajudaram nas minhas respostas. Era algo que eu não sabia nem o que perguntar, que através da pergunta de outras pessoas revelou respostas para mim.

Eu não consigo nem imaginar. Estou com medo de sair na rua agora, que tem tanta coisa que eu prometi que, quando chegar lá fora, eu vou ter que resolver, já mudar. Então é esperar pelo dia a dia, para a gente botar em prática tudo aquilo que a gente aprendeu. Aprendeu e revisitou, porque muita coisa a gente já sabe. Só não bota em prática.

Cem por cento, sem sombra de dúvidas. Mas o principal é se entregar, se deixar vulnerável e acreditar no conhecimento, na técnica dele. Foi algo que eu vim completamente aberto, já tinha indicações, mas foi surpreendente, mesmo não tendo uma prévia do que viria.

Sobre o que Douglas viveu

Artigos que aprofundam o tema deste depoimento.

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A história dele começou com uma decisão.

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