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Depoimento · Autoconhecimento

Não preciso buscar nada fora. Está tudo dentro de mim.

Bruna

Médica cardiologista · São José dos Campos

Bruna: Não preciso buscar nada fora. Está tudo dentro de mim.
Antes

Procurava fora aquilo que atribuía à falta de algo, e tinha perdido contato com partes de si mesma

Depois

Reconheceu o que havia deixado para trás e passou a tratar a própria capacidade como ponto de partida

Quem é Bruna

Bruna tem 42 anos, é médica cardiologista e é de São José dos Campos, a mesma cidade de Júlio e Miriam. Gravou durante o Momenttum M1.

A profissão dela dá um contorno interessante à frase que ela escolheu.

A frase, e o que ela não significa

Eu não preciso buscar nada fora, está tudo dentro de mim.

Essa é uma frase que pode ser lida de duas formas, e as duas leituras levam a lugares muito diferentes.

A leitura ruim é "não preciso de ajuda". Ela não diz isso, e seria estranho se dissesse: está falando num treinamento, citando o que o instrutor apontou, cercada de outras pessoas cujas falas mudaram o que ela percebeu. A frase nasceu num lugar coletivo.

A leitura que o resto do depoimento sustenta é sobre onde está o material de trabalho. Não é dispensar apoio de fora. É parar de tratar o que falta como algo a ser adquirido, quando boa parte do que ela procura já foi vivido e apenas saiu de circulação.

É o que ela descreve logo em seguida:

Coisas que de fato eu perdi em algum momento.

Perdido não é o mesmo que inexistente. Perdido tem endereço.

A imagem das frestas

A imagem que ela guardou do treinamento é específica:

A luz começou a aparecer através dessas frestas da parede quebrada.

E logo depois ela troca de metáfora, para uma que é dela:

Foi com o treinamento todo que a gente foi quebrando essa casca, e você vai encontrando as coisas lá dentro.

As duas imagens dizem a mesma coisa e vale reparar no que elas têm em comum: em nenhuma das duas alguém traz algo de fora. A parede quebra e a luz que já estava do outro lado aparece. A casca racha e o que estava dentro fica acessível.

É uma descrição de subtração, não de acréscimo. Não se adicionou uma capacidade nova. Retirou-se o que estava por cima.

Outro participante descreve o mesmo movimento com a mesma palavra: casca. Quando duas pessoas que não combinaram nada escolhem a mesma imagem, em geral é porque a imagem está descrevendo bem alguma coisa.

A lista de quem ela acha que vai sentir

Tem uma lista rápida no meio do depoimento que merece atenção:

Não só a minha vida, a da minha família, de quem convive comigo, dos meus pacientes, dos meus filhos principalmente.

Os pacientes entram na lista.

Faz sentido que entrem. Cardiologia é uma especialidade onde a conversa carrega peso: é ali que se comunica risco, se negocia mudança de hábito e, às vezes, se dá notícia ruim. A qualidade da presença de quem fala não é detalhe clínico, é parte do atendimento.

Dito isso, vale a marcação honesta: isso é uma expectativa dela, não um resultado medido. Ela gravou no fim do treinamento. O que ela está dizendo é onde acha que vai aparecer, e não o que já apareceu. Quem assiste precisa saber a diferença.

O que fica

Bruna diz a frase mais comum dos depoimentos de fim de treinamento:

Foi muito além do que eu esperava.

E aqui cabe o cuidado de sempre: expectativa superada é uma informação sobre o que ela esperava, não sobre o tamanho do resultado. Só o tempo separa as duas coisas.

O que sobrevive melhor ao tempo, no depoimento dela, é mais modesto e mais útil:

A ideia de que o que você procura pode não estar faltando. Pode estar coberto.

Transcrição do vídeoNa íntegra, nas palavras de Bruna. 246 palavras.

Bruna, eu tenho 42 anos e eu sou médica cardiologista.

Acreditar na gente mesmo e descobrir a pessoa que está escondida dentro da gente, que a gente com o passar da vida esquece. A gente tem muito potencial dentro da gente, e acho que entender que eu não preciso buscar nada fora, que está tudo dentro de mim.

Acho que agora no final, inclusive quando as pessoas começaram a falar sobre a criança livre, elas começaram a perceber que deixaram de ter essa criança livre. E aí foi o que o Júlio falou, que a luz começou a aparecer através dessas frestas da parede quebrada. E eu estava pensando nisso dentro de mim, de coisas que de fato eu perdi em algum momento. E veio o insight que eu falei: puta, está ali. E foi com o treinamento todo que a gente foi quebrando essa casca e você vai encontrando as coisas lá dentro.

Com certeza. Não só a minha vida, a da minha família, acho que de quem convive comigo, dos meus pacientes, da minha família, dos meus filhos principalmente. Não tenho dúvidas. Foi muito além do que eu esperava.

Eu falei isso agora para a Miriam. Eu coincidentemente sou da mesma cidade que eles, eu sou de São José dos Campos. E eu falei para ela: Miriam, onde vocês estavam escondidos? Que eu queria ter conhecido vocês pequenininha, para ter crescido com vocês e ter convivido um pouco do que eles têm. É incrível.

Sobre o que Bruna viveu

Artigos que aprofundam o tema deste depoimento.

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