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Depoimento · Autoconhecimento

Você deixa pessoas para trás, e até as novas aparecerem existe um hiato

Rodrigo Tavares Sampaio

Treinador, mentor e terapeuta

Rodrigo Tavares Sampaio: Você deixa pessoas para trás, e até as novas aparecerem existe um hiato
Antes

Estava no intervalo entre o círculo que deixou para trás e o próximo, sem saber nomear o que procurava

Depois

Nomeou o que buscava havia anos e diz ter encontrado pertencimento nas primeiras horas do encontro

Quem é Rodrigo

Rodrigo Tavares Sampaio tem 33 anos e trabalha como treinador, mentor e terapeuta. Ele é o mais novo de todos que gravaram nesse encontro, e o mais recente na sala: estava ali havia três horas.

Faço questão de começar por aí, porque isso muda como o depoimento deve ser lido. E porque ele mesmo é honesto sobre esse limite.

Ele nomeia uma coisa que quase ninguém nomeia

Você deixa pessoas para trás, e até que as novas pessoas apareçam existe um hiato.

Essa frase é o motivo deste texto existir.

Quase todo material sobre crescimento pessoal fala do antes e do depois. Praticamente nenhum fala do meio. E o meio tem uma característica específica: ele é solitário, e não parece progresso.

O que acontece ali costuma ser assim:

  • As conversas antigas param de caber. Não por arrogância, por assunto mesmo. Você já não se interessa pelo que interessava.
  • O círculo novo ainda não existe. Ele leva tempo, porque vínculo não se instala, se constrói.
  • E no intervalo você fica sem referência nenhuma, o que é bem mais desconfortável do que ficar num lugar ruim conhecido.

Muita gente desiste exatamente nesse ponto, e volta para o círculo antigo. Não porque estava errada em querer mudar, mas porque ninguém avisou que existia esse vão, e o vão foi lido como erro de percurso.

Não é. É a parte normal e mal contada do processo.

E ele nomeia o que estava faltando

Eu estou sentindo algo que eu estava buscando há muitos anos e que eu não sabia que estava buscando. Eu estou sentindo pertencimento.

Repare na estrutura da frase: ele buscava sem saber o que buscava.

Isso é mais comum do que parece em gente que já resolveu bastante coisa. A pessoa tem uma insatisfação que não consegue endereçar porque não consegue nomear. E enquanto não tem nome, ela tenta resolver com o que sabe fazer: mais trabalho, mais estudo, mais resultado.

Nada disso resolve, porque a falta não era de desempenho.

Pertencimento não se conquista trabalhando mais. Ele aparece quando você encontra a sala certa. E é por isso que ele é tão difícil de perseguir de forma deliberada.

A honestidade que eu preciso destacar

Veja, eu não sei sobre o Júlio.

Ele está gravando um depoimento e diz que não tem base para falar sobre a pessoa que conduz o trabalho.

Isso é raro e é correto. Ele tinha três horas de convívio. Qualquer elogio ali seria educação, não avaliação. Em vez disso, ele fala do que de fato experimentou: a sala, as pessoas, o próprio sentimento.

E eu vou ser igualmente honesto sobre o que esse depoimento é e o que ele não é.

O que ele é: o registro preciso de um reconhecimento imediato, e uma boa descrição do vão entre um círculo e outro.

O que ele não é: relato de resultado. Três horas não produzem resultado, produzem primeira impressão. Outra participante do mesmo encontro disse isso melhor do que eu diria: não é o dia, são os dias.

As duas coisas convivem. O reconhecimento dele é real e vale registrar. O teste vem depois, nos meses em que ninguém está filmando.

O que fica para quem está no meio do vão

Se você se reconheceu na parte do hiato, três coisas valem mais do que conselho:

  1. O desconforto do intervalo não é sinal de erro. Ele é o preço de ter saído de um lugar que não servia mais.
  2. Ele tem prazo, e o prazo depende de exposição. Círculo novo não aparece sozinho. Aparece onde tem gente nova.
  3. Voltar é sempre uma opção, e é a mais cara. Voltar resolve a solidão imediata e devolve exatamente o que você já tinha decidido deixar.

A frase do Rodrigo serve como aviso e como consolo ao mesmo tempo: o vão existe, é normal, e ele acaba.

Transcrição do vídeoNa íntegra, nas palavras de Rodrigo. 202 palavras.

Rodrigo Tavares Sampaio, 33 anos. Sou treinador, mentor, terapeuta e criador de conteúdo também.

Eu estou sentindo algo que eu estava buscando há muitos anos e que eu não sabia que estava buscando especificamente. Eu estou sentindo pertencimento. Se fosse para definir um sentimento: pertencimento. Eu encontrei meu lugar.

Essas pessoas, esse lugar, é o que eu estava buscando. Há muitos e muitos anos que eu buscava isso, e eu não sabia.

Eu me senti nessa fase de transformação. Você deixa pessoas para trás, e até que as novas pessoas apareçam existe um hiato. Então eu sinto que agora eu encontrei. Com três horas de evento, senti isso.

Veja, eu não sei sobre o Júlio. Eu acho que estou mais apropriado a falar assim: se você é uma pessoa que busca servir, busca impactar, busca ter alta qualidade de vida, altos rendimentos, altos resultados, e você quer servir a algo maior no seu lugar, ele vai despertar o melhor de você.

Não só ele. As pessoas que estão aqui vão despertar o melhor de você para fazer o que precisa ser feito e alcançar os resultados que você deseja, mas que provavelmente você ainda não tem porque tem alguns níveis de medo.

Sobre o que Rodrigo viveu

Artigos que aprofundam o tema deste depoimento.

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