PNL

A avó que passou a deitar no chão para brincar: o resultado que nenhuma formação consegue medir

Ela nunca vai ouvir falar de PNL. Não sabe que existiu uma sala, nem quem estava nela. E foi uma das pessoas mais transformadas da semana.

Júlio Pereira8 min de leitura
Imagem do artigo sobre sementes que florescem em lugares que quem plantou nunca vai ver.

Existe uma avó, em algum lugar, que essa semana passou a deitar no chão para brincar com a neta.

Ela não vai ouvir falar de Programação Neurolinguística. Não sabe o que é reestruturação em seis passos, squash visual, swish ou linha do tempo. Nunca vai saber que existiu uma sala, e muito menos quem estava nela.

Para a neta, não haverá explicação nenhuma. Vai ser apenas uma avó presente. E ela vai carregar isso pelo resto da vida sem fazer ideia de onde veio.

Recebi um texto da turma do Practitioner no encerramento, e é dele que essa cena saiu. Não vou reproduzir o texto inteiro aqui, porque ele foi escrito para mim e para a equipe. Mas há uma ideia dentro dele que precisa sair da sala, porque vale para qualquer pessoa que forma, lidera, educa ou cuida.

O resultado de uma formação quase nunca acontece na sala. Acontece na casa de gente que nunca vai saber que a sala existiu.

No vídeo abaixo são participantes da formação falando por conta própria, sem roteiro. É aquilo que a neta nunca vai saber explicar, contado por quem estava na sala.

Participantes do Practitioner em PNL contam o que mudou depois da formação

As pessoas mais transformadas não estavam lá

Essa é a parte que quase ninguém enxerga, inclusive quem faz esse trabalho.

A turma listou, sem que eu pedisse, quem tinha mudado de vida naquela semana. E quase ninguém da lista estava na sala:

  • Uma neta, que ganhou uma avó que agora deita no chão para brincar.
  • Uma filha, que voltou a ser procurada pelo pai depois de anos de silêncio, e que não entendeu direito o que mudou.
  • Um time inteiro, que na segunda-feira recebeu outro chefe, com a mesma cara e a mesma voz.
  • Um irmão, um colaborador, um filho, uma família inteira.

Nenhum deles sabe o meu nome. Nenhum deles vai saber que aquela sala existiu.

E é exatamente aí que mora o tamanho real do trabalho. Não no aplauso do último dia. No jantar de terça-feira, na casa de alguém que nunca ouviu falar de nada disso.

Durante décadas formando líderes, precisei aprender a conviver com essa característica do ofício: você planta uma coisa que floresce longe, e quase sempre você não está lá para ver. Fecha uma turma, monta outra sala, começa do zero de novo.

Por isso essa turma fez algo raro. Eles vieram contar.

Ninguém falou de técnica

Quando a turma sentou para nomear o que tinha acontecido, cada um respondeu com uma palavra, sem combinar entre si. Transformação. Consciência. Ressignificação. Renascimento. Coragem.

Nenhuma delas é o nome de um exercício. Ninguém citou técnica. Ninguém citou protocolo. Todo mundo falou de gente.

Isso não é falta de memória, e também não é sentimentalismo de encerramento. É diagnóstico.

Técnica é andaime. Ela sustenta a construção enquanto ela está sendo levantada, e depois sai de cena. Quando o prédio fica em pé, ninguém elogia o andaime.

E aqui está o sinal que uso para avaliar se um processo pegou:

  • Quem só consegue citar a técnica em geral ainda não aplicou nenhuma. Ficou no nível do vocabulário.
  • Quem descreve pessoas, cenas e conversas desceu do cognitivo para o comportamental. Ali houve mudança.

Essa é a mesma distinção entre saber e operar que separa quem estuda de quem muda. Saber o nome da ferramenta é o começo. Virar outra pessoa na sala de casa é o ponto de chegada.

"Vocês não colocaram nada em ninguém"

A frase mais precisa do texto deles foi essa: vocês não colocaram nada em ninguém aqui, vocês destravaram o que já estava lá.

Isso não é elogio. É a descrição técnica correta do que aconteceu.

Um dos pressupostos centrais da PNL é que as pessoas já possuem os recursos de que precisam, ainda que não tenham acesso a eles no momento em que precisam. O trabalho não é instalar coragem em quem não tem. É criar as condições para que a coragem que já existe consiga aparecer.

A diferença entre as duas coisas muda tudo:

  • Quem acredita que precisa instalar vira dependente do professor, e o participante também. Toda vez que aparecer um problema novo, a pessoa volta buscando a próxima peça.
  • Quem entende que precisa destravar entrega autonomia. A pessoa sai sabendo acessar o próprio recurso sem precisar de intermediário.

A turma notou que o segundo caminho é mais difícil. Está certa. É mais lento, é menos espetacular, não rende frase de efeito. Exige aguentar o silêncio de alguém pensando em vez de entregar a resposta pronta.

E é o único que produz gente que anda sozinha depois.

Por que o véu cai

Houve uma frase na carta que explica o mecanismo inteiro: é como se caísse um véu.

Gente que mal se conhecia contou naquela sala o que não conta para quem convive todo dia. E a turma mesma respondeu por que isso aconteceu: véu não cai por acaso, cai quando a pessoa se sente segura.

Isso merece ser levado a sério por qualquer um que lidere reunião, conduza equipe ou eduque alguém. Sem segurança, ninguém se expõe. E sem exposição, não existe trabalho real, só troca de conteúdo.

Segurança psicológica não se anuncia. Não adianta abrir o encontro dizendo que ali é um espaço seguro. Ela se demonstra, e depende de três coisas sustentadas ao longo de todo o processo:

  1. Ausência de julgamento, inclusive nos detalhes. Uma sobrancelha levantada na hora errada fecha uma sala inteira por dias.
  2. Confidencialidade que se sustenta. Basta um comentário vazado para o grupo nunca mais se abrir.
  3. Congruência de quem conduz. E essa é a mais decisiva.

A turma escreveu: a gente se sentiu segura porque vocês são a mesma coisa no palco e fora dele.

Facilitador que é uma pessoa na frente da sala e outra no intervalo mantém todo mundo defendido. Ninguém verbaliza isso, mas todo mundo sente. E, sentindo, ninguém entrega nada de verdadeiro.

Isso conversa diretamente com o que sustenta autoridade real. Não é o cargo, não é a técnica. É a coerência entre quem você diz que é e quem você é quando ninguém está avaliando.

Você não mede uma formação pelo que o participante aprendeu. Mede pelo que mudou na casa dele, para pessoas que nunca souberam que ela existiu.

A conta que passa a ser sua

O trecho final da carta é o que mais me interessa, porque é o único que fala de futuro em vez de agradecimento.

Eles escreveram que essa conta agora também é deles. Que não dá para receber algo assim e guardar só para si.

Isso é maturidade, e é raro.

A maioria das pessoas sai de um processo transformador em modo consumo. Recebeu, gostou, agradeceu, guardou. Poucas percebem que o que receberam vem com uma obrigação embutida.

Não é obrigação de virar instrutor, nem de sair pregando método para os outros. É mais simples e muito mais exigente:

  • Ser, em casa, a pessoa que você conseguiu ser na sala. Sem plateia, sem contexto favorável, sem ninguém facilitando.
  • Sustentar isso na semana ruim, que é quando o padrão antigo volta a bater na porta oferecendo conforto.
  • Criar para os outros a segurança que criaram para você. Quem recebeu um espaço sem julgamento tem condição de oferecer um.

Essa é a única forma de a semente chegar onde nem você vai ver.

O que isso ensina para quem nunca fez formação nenhuma

Se você leu até aqui e nunca pisou numa sala de treinamento, ainda assim há uma coisa aqui que vale para a sua vida.

Você também está produzindo efeitos invisíveis, agora, em pessoas que nunca vão te explicar o que você causou.

O jeito como você trata quem te serve o café. O tom que usa quando está cansado. O que seu filho vê você fazendo quando você acha que ele não está olhando. A forma como você responde ao colaborador que errou.

Nada disso pede sua autorização para virar memória na cabeça de alguém. E boa parte das pessoas que você mais impacta jamais vai te contar.

A pergunta prática, então, não é sobre formação. É sobre coerência:

Se as pessoas que convivem com você tivessem que escolher uma palavra para descrever o efeito que você produz nelas, qual seria?

Você não vai gostar de descobrir que essa palavra existe independente da sua intenção. Ela é formada pelo que você faz repetidamente, não pelo que você pretendia.

Jornada PUVE

O que muda em você chega em quem nunca vai saber o seu porquê.

O Practitioner em PNL da Jornada PUVE trabalha para destravar o que já existe, não para instalar o que falta. O resultado aparece primeiro em casa. Inscrições abertas.

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Onde começar essa semana

Faça um exercício de três passos, que leva menos de vinte minutos:

  1. Liste cinco pessoas que convivem com você toda semana. Família, time, sócio, amigos próximos.
  2. Ao lado de cada nome, escreva a palavra que você acredita que ela usaria para descrever como se sente perto de você. Sem embelezar.
  3. Escolha uma dessas palavras que você não gostou e defina um comportamento concreto para mudá-la nos próximos trinta dias.

Não avise ninguém. Não explique, não anuncie, não peça reconhecimento.

Faça, e deixe a mudança chegar em quem convive com você do jeito que ela chega de verdade: sem explicação, sem crédito e sem que a pessoa nunca saiba exatamente o que aconteceu.

Como a neta que ganhou uma avó no chão, e nunca vai saber por quê.

É esse o tipo de resultado que importa. E ele nunca aparece em certificado nenhum.

Obrigado, turma. A conta agora é de vocês. Espalhem.

Perguntas frequentes

Como saber se uma formação realmente funcionou?
Não pergunte ao participante o que ele aprendeu. Pergunte às pessoas que convivem com ele o que mudou. Quem faz a avaliação honesta de um processo não é quem passou por ele, é quem recebe o resultado em casa e no trabalho. Se ninguém em volta percebeu nada em trinta dias, o que houve foi informação, não formação.
Por que ninguém cita técnica quando fala do que mudou?
Porque técnica é o andaime, não o prédio. Ela sustenta a construção enquanto ela acontece e depois sai de cena. Quando alguém descreve a mudança falando de pessoas, e não de exercícios, é sinal de que o aprendizado desceu do nível cognitivo para o comportamental. Quem só sabe citar a técnica normalmente ainda não aplicou nenhuma.
Dá para provocar transformação sem ambiente seguro?
Não. Sem segurança as pessoas não se expõem, e sem exposição não há trabalho real, apenas troca de conteúdo. Segurança psicológica não se anuncia, se demonstra: ausência de julgamento, confidencialidade sustentada e, principalmente, congruência de quem conduz. Facilitador diferente no palco e fora dele mantém todo mundo defendido.
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Jornada PUVE

A Jornada PUVE não é um curso.

É uma sequência de treinamentos presenciais para você se tornar a versão de si mesmo que o seu propósito exige. Intensidade distorce o tempo e é isso que você encontra aqui. Vagas limitadas, turmas exclusivas e acompanhamento individual. Desde 1998 formando líderes.

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