PNL

Os Impactados: o texto que a turma escreveu no último dia, e o que ele revela sobre formação de verdade

Não escrevi uma linha do que você vai ler abaixo. Foi a turma que escreveu, no encerramento do Practitioner em PNL. E é o melhor retrato do que acontece quando uma formação faz o trabalho até o fim.

Júlio Pereira9 min de leitura
Imagem da turma Os Impactados, do Practitioner em PNL.

Existe uma coisa que acontece no último dia de uma formação séria e que nenhum material de divulgação consegue reproduzir.

As pessoas escrevem.

Não porque foi pedido. Porque precisam colocar em algum lugar o que atravessaram.

No encerramento do Practitioner em PNL, a turma que se batizou de Os Impactados escreveu um texto e leu em voz alta. Eu não escrevi uma linha. Não revisei, não sugeri, não pedi. Recebi pronto, como todo mundo.

Publico ele aqui na íntegra, porque ele diz melhor do que eu diria o que uma formação faz quando é levada até o fim. Depois, comento o que cada trecho revela.

Antes de ler, vale assistir. Nesse vídeo são os próprios participantes falando sobre o que viveram na formação, e ouvir de quem atravessou tem um peso que o texto sozinho não alcança.

Practitioner em PNL na Jornada PUVE, na visão dos participantes

Os Impactados

Hoje não termina apenas um curso. Hoje termina uma versão de nós.

Quando chegamos aqui, muitos acreditavam que já se conheciam. Achávamos que nossos medos, nossas reações e nossos limites definiam quem éramos. Mas descobrimos que carregávamos histórias, crenças e verdades que nem eram nossas. E, sem perceber, elas conduziam nossas escolhas.

Cada exercício, cada conversa e cada silêncio nos fez olhar para dentro. Alguns encontraram respostas. Outros encontraram perguntas. E ambos saem daqui maiores do que entraram.

Porque crescer nem sempre traz conforto. Às vezes, crescer é aceitar que precisamos desconstruir para reconstruir. É entender que não existe evolução sem enfrentar o desconforto.

Hoje não saímos com a vida resolvida. Saímos com algo muito mais valioso: direção.

Aprendemos que autoresponsabilidade é assumir o comando da própria vida. Que antes de cuidar do outro precisamos cuidar de nós. Que o futuro não precisa ser motivo de ansiedade quando aprendemos a viver e aproveitar o processo.

Levamos daqui muito mais do que técnicas de Programação Neurolinguística. Levamos ferramentas para pensar melhor. Para nos relacionarmos melhor. Para liderarmos melhor. E, principalmente, para vivermos melhor.

Se existe uma palavra que representa esta turma, essa palavra é coragem. Coragem para olhar para dentro. Coragem para questionar antigas certezas. Coragem para mudar.

Porque ninguém atravessa uma experiência como esta e permanece exatamente igual. Alguns saem mais leves. Outros mais fortes. Alguns ainda estão reorganizando tudo o que sentiram. Mas todos saem mais conscientes. E consciência muda destinos.

Daqui para frente, cada desafio será uma oportunidade de aplicar aquilo que vivemos aqui. Não para sermos perfeitos, mas para sermos melhores do que fomos ontem.

Agora deixa eu comentar o que está embaixo de cada parte, porque esse texto é mais técnico do que parece.

"Carregávamos verdades que nem eram nossas"

Essa é a frase mais importante do texto inteiro, e não é por acaso que ela aparece logo no começo.

Quase toda pessoa adulta opera a partir de um conjunto de certezas que nunca escolheu. Elas vieram de casa, da escola, do primeiro chefe, de uma frase que alguém disse num dia ruim e nunca mais foi revista.

O detalhe cruel é que essas certezas não se apresentam como opinião. Elas se apresentam como realidade.

  • "Eu não sou bom com dinheiro" não parece crença. Parece diagnóstico.
  • "Ninguém me escuta mesmo" não parece interpretação. Parece fato.
  • "Eu sou assim, sempre fui" não parece escolha. Parece identidade.

Enquanto essas frases estiverem operando como verdade, elas conduzem escolha sem pedir licença. A pessoa acha que está decidindo. Está apenas executando o que já estava instalado.

Esse é exatamente o pressuposto que sustenta boa parte do trabalho: o mapa não é o território. O que você chama de realidade é, na maior parte, o seu modelo dela. E modelo pode ser revisado.

"Alguns encontraram respostas. Outros encontraram perguntas."

Reparei nessa linha na primeira leitura, e ela mostra maturidade da turma.

Muita gente entra numa formação querendo sair com respostas. E sai frustrada quando o que aparece é uma pergunta melhor do que a que ela trouxe.

Mas quem já fez esse caminho sabe: pergunta boa vale mais que resposta pronta.

  • Resposta serve para uma situação. A pergunta certa serve para todas as que ainda virão.
  • Resposta vence rápido, porque o contexto muda. Pergunta boa continua funcionando dez anos depois.
  • Resposta te devolve ao professor no próximo problema. Pergunta te devolve a você.

A turma percebeu isso sozinha, e por isso escreveu que ambos saem maiores. Está certo.

"Crescer nem sempre traz conforto"

Aqui eles chegaram, com as palavras deles, na mesma conclusão que costumo repetir quando estou com um empresário travado.

Desconstruir vem antes de reconstruir. E desconstruir dói, porque o que está sendo desmontado não é teoria. É a explicação que a pessoa vinha usando para justificar a própria vida.

Existe um momento em toda formação séria em que a sala fica desconfortável. Esse momento não é um defeito do processo. É o processo.

Formação que só acolhe, que nunca confronta, que faz todo mundo se sentir bem o tempo inteiro, entretém. Não transforma. Quem sai de uma formação exatamente igual a como entrou, mas com o coração quentinho, não foi formado. Foi entretido.

Isso conversa diretamente com o que escrevo sobre zona de conforto. Na zona de conforto não tem crescimento. Na zona de crescimento não tem conforto. A turma descobriu isso na prática, não na teoria.

"Não saímos com a vida resolvida. Saímos com direção."

Se eu pudesse escolher uma única frase desse texto para colocar na parede, seria essa.

Ela é honesta de um jeito que quase nenhum material de curso é.

O mercado de desenvolvimento vende resolução. Promete a vida arrumada em quatro dias, a virada definitiva, o antes e depois. E isso não existe. Quem promete isso está vendendo alívio, não transformação.

O que uma formação honesta entrega é outra coisa:

  • Clareza sobre onde você está de verdade, sem a narrativa que você usava para se poupar.
  • Direção sobre para onde ir, com critério próprio, não com fórmula de terceiro.
  • Ferramenta para andar, que funciona nas situações que ninguém previu.

Vida resolvida é promessa de palco. Direção é entrega real. E direção, diferente de resolução, você leva para sempre.

"Autoresponsabilidade é assumir o comando da própria vida"

Esse é o ponto de virada de qualquer processo, e é sempre o mais difícil.

Enquanto a causa estiver do lado de fora, a solução também está. E aí a pessoa fica esperando: o chefe mudar, o cônjuge entender, o mercado melhorar, o momento ficar certo.

Autorresponsabilidade não é culpa. É importante separar isso, porque muita gente confunde e se afunda:

  • Culpa olha para trás e procura um responsável pelo que já foi.
  • Responsabilidade olha para frente e pergunta o que agora depende de você.

Essa distinção é o coração do que ensino sobre os três núcleos decisivos: o que depende de você, o que depende dos outros e o que ultrapassa os dois. Quem separa os três para de gastar energia no lugar errado.

E tem uma segunda parte na frase deles que vale sublinhar: antes de cuidar do outro precisamos cuidar de nós. Quem chega vazio não sustenta ninguém. Líder exausto lidera mal. Pai esgotado educa mal. Isso não é egoísmo. É ordem de operação.

"Se existe uma palavra que representa esta turma, essa palavra é coragem"

Eles escolheram a palavra certa.

Porque o que uma formação dessas pede não é inteligência. É disposição para ficar exposto.

  • Coragem de olhar para dentro e encontrar o que estava sendo evitado.
  • Coragem de questionar certeza antiga, que é confortável justamente por ser antiga.
  • Coragem de compartilhar história numa sala com gente que você conheceu há poucos dias.

Esse último ponto merece destaque, e a própria turma reconheceu: foi a entrega de cada um que tornou possível a transformação de todos.

Isso é literal. Numa sala em que ninguém se expõe, ninguém avança. A profundidade que um grupo alcança é sempre proporcional à coragem do primeiro que se abriu.

"Consciência muda destinos"

Fecho com essa, que é deles e é precisa.

Consciência não é resultado. É pré-requisito. Nada muda enquanto o padrão continuar invisível, porque não se corrige o que não se enxerga.

Mas vale a advertência honesta, que sempre deixo para quem termina uma formação: consciência sozinha não basta.

Você pode enxergar perfeitamente o seu padrão e continuar repetindo ele por mais dez anos. A consciência abre a porta. Quem atravessa é a prática.

Por isso a última linha do texto deles é a mais correta de todas: esse é apenas o início.

Não é discurso de encerramento. É descrição técnica. O que acontece numa formação é a instalação de um novo repertório. O que decide o resultado é o que a pessoa faz com esse repertório na terça-feira seguinte, quando ninguém está olhando e a vida voltou ao normal.

Formação séria não entrega a vida resolvida. Entrega direção, ferramenta e a coragem de usar as duas quando ninguém estiver olhando.

O que fica, para quem leu de fora

Se você não estava naquela sala, ainda assim há três coisas nesse texto que servem para a sua semana:

  1. Liste três certezas suas que você nunca revisou. Aquelas que você trata como fato sobre si mesmo. Pergunte de onde cada uma veio e quem te ensinou.
  2. Identifique onde você está esperando alguém mudar para a sua vida melhorar. Esse é o ponto exato onde a autorresponsabilidade ainda não chegou.
  3. Escolha uma coisa desconfortável que você vem evitando e faça a menor versão possível dela nos próximos sete dias.

Nenhum desses três exige formação. Exigem a mesma coisa que a turma nomeou: coragem.

Jornada PUVE

Desconstruir para reconstruir. É esse o trabalho.

O Practitioner em PNL da Jornada PUVE forma pessoas que saem com direção, ferramenta e repertório novo. Não com a vida resolvida, e sim com o comando dela. Inscrições abertas.

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Uma palavra final

Aos Impactados: obrigado por escreverem.

Vocês não sabem, mas texto de encerramento escrito por turma é a única avaliação que eu levo totalmente a sério. Formulário mede satisfação. Texto escrito no calor do último dia mede transformação.

E o de vocês diz, sem eu precisar acrescentar nada, que o trabalho foi feito.

Agora começa a parte que só depende de cada um.

Que seja mesmo, como vocês escreveram, o início de uma nova maneira de viver.

Perguntas frequentes

O Practitioner em PNL entrega resultado prático ou é só autoconhecimento?
Entrega os dois, e nessa ordem. Sem autoconhecimento, a técnica vira truque aplicado por alguém que continua reagindo pelos mesmos padrões. Com autoconhecimento, a técnica vira ferramenta de comunicação, de liderança e de relação. Quem sai da formação levando só técnica aproveitou metade.
Por que uma formação assim é desconfortável?
Porque desconstruir dói antes de reconstruir. Você chega achando que se conhece e descobre que boa parte das suas certezas foi herdada, não escolhida. Esse momento é incômodo e é exatamente ele que abre espaço para o novo. Formação que só acolhe e nunca confronta entretém, não transforma.
Sair com direção, e não com respostas, não é entregar menos?
É entregar o que de fato sustenta. Resposta pronta serve para uma situação específica e vence rápido. Direção serve para todas as situações que ainda virão, inclusive as que ninguém previu. Quem sai com respostas volta atrás do professor no próximo problema. Quem sai com direção resolve sozinho.
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Jornada PUVE

A Jornada PUVE não é um curso.

É uma sequência de treinamentos presenciais para você se tornar a versão de si mesmo que o seu propósito exige. Intensidade distorce o tempo e é isso que você encontra aqui. Vagas limitadas, turmas exclusivas e acompanhamento individual. Desde 1998 formando líderes.

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