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Depoimento · Autoconhecimento

Criança interior e responsabilidade. É a união que define tudo.

Fabiano Luiz

Sócio da Harpia Brand Studio · Harpia Brand Studio

Fabiano Luiz: Criança interior e responsabilidade. É a união que define tudo.
Antes

Tinha suprimido o próprio lado leve e divertido acreditando que amadurecer exigia isso

Depois

Parou de tratar leveza e responsabilidade como escolha excludente e passou a operar com as duas juntas

Quem é Fabiano Luiz

Fabiano Luiz tem 26 anos e é sócio da Harpia Brand Studio, que trabalha com marca e posicionamento. Gravou durante o Momenttum M1.

Ele é o mais novo dos depoimentos dessa turma, e é o que faz a distinção mais precisa.

A frase que recusa a escolha

A maioria das conversas sobre amadurecimento apresenta uma troca: você abre mão da leveza e recebe responsabilidade. Fabiano recusa a troca inteira.

Entender essa união entre criança interior e responsabilidade é o que define tudo que eu estou vivendo.

Ele não está pedindo permissão para ser leve. Está dizendo que as duas coisas operam juntas, e que tratá-las como excludentes foi o erro.

Repare que ele não afrouxa nada do lado da responsabilidade. A lista que ele faz é dura:

Ser responsável, ser líder, entender o que você tem nas mãos, entender que erros existem, consequências que não só impactam você, mas impactam quem está do teu lado.

É exatamente por isso que a frase dele funciona. Quem defende leveza costuma defender menos exigência. Ele não faz isso. Ele mantém a exigência inteira e diz que ela cabe junto com a leveza, no mesmo processo.

O custo de uma crença que nunca foi examinada

A parte mais séria do depoimento passa rápido:

Eu fui matando, acreditando que era o certo.

As três palavras que importam são "acreditando que era o certo".

Isso não foi um trauma nem uma imposição externa. Foi uma conclusão que ele tirou sozinho, em algum momento, sobre como se comporta um adulto que quer ser levado a sério. E a partir dali passou a executar essa conclusão sem nunca ter voltado para conferir se ela estava certa.

É assim que a maioria das crenças caras opera: não como uma decisão, mas como uma regra que virou padrão antes de passar por qualquer conferência.

Outro participante da mesma turma descreve o movimento de voltar e conferir com a mesma urgência.

A dinâmica em dupla, e por que ela funcionou

O relato mais interessante do depoimento é o do exercício em dupla, e ele tem uma estrutura curiosa:

Eu reparava que ela não tinha lembrança da infância, e só vinha lembrança de infância minha, de momentos muito divertidos de criança.

Ele estava prestando atenção na outra pessoa. O exercício pedia isso. E foi justamente enquanto observava a dificuldade dela que as memórias dele começaram a chegar, sem que ele tivesse ido buscá-las.

Aí vem o fecho:

Quando eu dei um abraço nela, ela falou: eu fico muito feliz que você se lembrou da tua infância. E aí eu achei estranho.

Ela viu antes dele. Ele estava tão ocupado conduzindo a atenção para fora que não tinha registrado o que estava acontecendo consigo mesmo. Precisou de alguém dizendo em voz alta para perceber.

Isso é um mecanismo conhecido e vale nomear: algumas coisas só ficam visíveis pelo reflexo. Quando a atenção está toda voltada para dentro, ela costuma encontrar o que já espera encontrar. Quando está ocupada com outra pessoa, o que aparece chega sem filtro, porque ninguém estava vigiando a porta.

O que ele diz sobre o mercado dele

A última frase é de outro assunto e merece o registro:

No meio de um mercado onde a galera usa muita máscara, é interessante ver verdade.

Ele trabalha com construção de imagem. É o ofício de decidir o que uma marca mostra e o que não mostra. Alguém nessa posição tem um detector calibrado para performance, porque convive com ela profissionalmente todos os dias.

O sócio dele gravou um depoimento na mesma turma, e chegou a uma conclusão vizinha por outro caminho.

Sobre o julgamento dos dois eu não vou opinar, pelo motivo óbvio: é elogio dirigido a quem assina este blog, e ele fica registrado na transcrição, palavra por palavra, sem que eu acrescente nada.

O que fica

Fabiano tem 26 anos e acabou de desmontar uma regra que provavelmente carregaria por mais vinte. Esse é o valor real do que ele descreve, e é modesto o suficiente para ser verdade.

Não é que ele agora saiba conduzir uma empresa com leveza. É que parou de acreditar que precisava escolher.

E, como ele mesmo avisa com honestidade rara num depoimento de fim de treinamento:

Existe muito mais, mas eu consegui resumir dentro disso.

Transcrição do vídeoNa íntegra, nas palavras de Fabiano. 373 palavras.

Eu me chamo Fabiano Luiz, tenho 26 anos. Hoje eu sou sócio da Harpia Brand Studio. A gente trabalha com brand e posicionamento de marca.

Eu estou aprendendo a dar valor à minha criança interior, que com o passar do tempo eu fui matando, acreditando que era o certo. E nesse último momento eu estou entendendo que ela faz parte de mim. Eu sou divertido, eu gosto de brincar, gosto de rir, eu me divirto no processo. Eu achei que não era assim. Eu carreguei muito pesado os últimos dias, e isso mudou a minha cabeça.

Eu tive esse estalo quando a gente teve o processo de voltar numa emoção ruim e num ponto feliz. Quando eu estava na dinâmica com a parceira, com a moça que estava comigo, eu reparava que ela não tinha lembrança da infância, e só vinha lembrança de infância minha, de momentos muito divertidos de criança. E aí, engraçado que no final, quando eu dei um abraço nela, ela falou assim: eu fico muito feliz que você se lembrou da tua infância. E aí eu achei estranho. Aí eu falei: cara, eu acho que tem alguma coisa que a gente conversou sobre a criança interior. E aí, ao longo do processo, no fim, era criança interior. E aí, esse bate-papo no final, eu entendi que era a criança interior já querendo voltar à tona.

Levar a vida com mais leveza. Leveza é aproveitar o processo e ao mesmo tempo entender a responsabilidade que tem sobre mim. O processo tem que ter leveza, a criança interior tem que estar viva, mas existem responsabilidades que você vai precisar, obviamente, ser responsável, ser líder, entender o que você tem nas mãos, entender que erros existem, consequências que não só impactam você, mas impactam quem está do teu lado. Então entender esse conjunto, essa união entre criança interior e responsabilidade, é o que define tudo que eu estou vivendo. Existe muito mais, mas eu consegui resumir dentro disso.

Vale muita coisa. Foi muito bom, sensacional. No meio de um mercado onde a galera usa muita máscara, é interessante ver verdade. É massa demais isso aí. Mudou o jogo, a percepção que a gente tem do cara e da equipe, de todos vocês.

Sobre o que Fabiano viveu

Artigos que aprofundam o tema deste depoimento.

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A história dele começou com uma decisão.

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