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Depoimento · Liderança

Não dá mais para ficar esperando as coisas acontecerem

Sheila Padovam

Advogada e líder de clube de mulheres

Sheila Padovam: Não dá mais para ficar esperando as coisas acontecerem
Antes

Tinha repertório e capacidade construídos e seguia esperando o momento de usar

Depois

Saiu decidida a avançar com o que já tinha em mãos, em vez de aguardar mais uma condição

Quem é Sheila

Sheila Padovam tem 44 anos, é advogada e lidera um clube de mulheres. O depoimento foi gravado no encerramento de um encontro de dois dias do Impactus Club.

São oitenta e cinco segundos de vídeo. E dentro deles tem um diagnóstico que eu queria que mais gente competente ouvisse.

O que ela descobriu não foi uma falta

Repare na ordem exata em que ela coloca as coisas:

Eu posso realizar mais. Eu já tenho muito material, eu já tenho muita capacidade, e preciso avançar com tudo que eu já construí.

Nenhuma dessas frases aponta uma carência. Ela não diz que precisa aprender algo, contratar alguém, esperar o mercado melhorar ou se preparar mais.

Ela diz que já tem. E que o problema é não estar usando.

Esse é um diagnóstico diferente, e ele muda completamente o tratamento. Quem acredita que falta alguma coisa vai buscar mais um curso, mais uma certificação, mais um ano de preparo. Quem entende que o recurso já existe tem um problema muito mais simples e muito mais desconfortável: começar.

Quando estou com um empresário ou com uma líder que já construiu bastante, é quase sempre esse o quadro. Não falta competência. Falta autorização.

A frase que ela pensou na hora

O trecho mais bonito do depoimento é o que ela emenda logo em seguida:

Não dá mais para ficar esperando as coisas acontecerem. Eu acabei de pensar isso agora.

Ela avisa que está pensando aquilo pela primeira vez, na frente da câmera.

Isso vale mais do que qualquer frase ensaiada, e vale por um motivo técnico: decisão não vem de conclusão lógica, vem de um instante em que a coisa fica óbvia. Ela não estava recitando um aprendizado. Ela estava decidindo ali.

E vale sublinhar o que exatamente ela decidiu parar de fazer: esperar.

Esperar não parece um problema porque não parece uma ação. Parece prudência, parece timing, parece maturidade. Mas esperar é uma escolha ativa, feita todos os dias, com um custo que só aparece quando somado.

O orgulho, que é uma palavra rara

Estou muito orgulhosa. Acho que esse é o sentimento por estar aqui, por me permitir viver tudo que nós vivemos hoje.

Repare do que ela se orgulha. Não de um resultado, não de um número, não de uma conquista. Ela se orgulha de ter se permitido.

É uma distinção pequena que carrega muito. Boa parte das pessoas de alto desempenho só se autoriza a sentir orgulho depois de entregar alguma coisa. Orgulhar-se de ter se dado permissão é outro nível de relação consigo, e costuma vir bem depois.

De novo, o acúmulo

E aí ela diz uma coisa que eu já tinha ouvido dias antes, de outra pessoa, no mesmo encontro:

Porque isso foi construído lá atrás, em todos os outros encontros que nós já tivemos.

A Dra. Ângela disse quase a mesma coisa, com outras palavras: não são os dois dias, são os dias.

Duas pessoas diferentes, gravando separadamente, chegando à mesma leitura sem combinar. Isso deixa de ser impressão e vira evidência de como o processo funciona: o encontro não produz o resultado, ele colhe o que já estava plantado.

"Ele não me falou. Ele me fez enxergar."

Sheila fala do meu trabalho em termos que eu não vou comentar. Ficam na transcrição, inteiros.

Comento só a distinção que ela faz no fim, porque ela não é elogio. É descrição precisa de método:

Ele já enxergava, e não me falou. Ele me fez enxergar essas coisas. O que para mim é ainda mais valioso.

Essa diferença é a coisa mais difícil de sustentar nesse ofício.

Quando você enxerga algo sobre alguém, a tentação é dizer. É mais rápido, é mais confortável, e ainda parece generoso. O problema é o que acontece depois.

  • Quem recebe a resposta pronta concorda, agradece e continua igual, porque a conclusão era de outro.
  • Quem chega sozinho à conclusão não precisa ser convencido. Já está convencido, e por isso age.

É a diferença entre instalar e revelar. Falar instala uma opinião que dura pouco. Fazer enxergar revela algo que a pessoa passa a carregar sozinha.

Sheila percebeu isso sem que ninguém explicasse. E chamou de mais valioso, que é exatamente o que é.

Transcrição do vídeoNa íntegra, nas palavras de Sheila. 204 palavras.

Eu sou Sheila Padovam, tenho 44 anos, sou advogada e líder de um clube de mulheres.

O que eu mais senti nesses dois dias, aliás ainda estou com essa sensação, é de que eu posso realizar mais. De que eu já tenho muito material, eu já tenho muita capacidade, e que eu preciso avançar com tudo que eu já construí.

Não dá mais para ficar esperando, sabe, as coisas acontecerem. Eu acabei de pensar isso agora.

Estou muito orgulhosa. Acho que esse é o sentimento por estar aqui, por me permitir viver tudo que nós vivemos hoje, e conseguir aproveitar essas oportunidades que nós tivemos hoje. Porque isso foi construído lá atrás, em todos os outros encontros que nós já tivemos.

A primeira coisa que eu falaria sobre o Júlio é: o Júlio transformou a minha vida. E eu falo isso para todo mundo. Quando me perguntam quem é Júlio Pereira, eu falo: o Júlio é a pessoa que transformou minha vida.

O Júlio foi a pessoa que me fez enxergar coisas que eu ainda não conseguia ver. Mas ele não me falou. Ele já enxergava, e não me falou. Ele me fez enxergar essas coisas. O que para mim é ainda mais valioso.

Sobre o que Sheila viveu

Artigos que aprofundam o tema deste depoimento.

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A história dele começou com uma decisão.

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